O Caçador de Bruxas
Nova edição dos mini-livros do Bar o 13, com Séchu Sende como o criador.
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Mulheres com livros na cabeça
As mulheres apanhárom os cestos e saírom à noite em silêncio. Havia doze mulheres. Poderia dizer-che os seus nomes. Todos os nomes levavam a letra A.
Havia livros, revistas, jornais, e muitos papeis. Eu escoitei que havia que escondê-los porque em todos aparecia escrita a palavra liberdade.
Nom podiam tirar um carro e carregá-lo porque nom era seguro. O fungar do carro! Tu escoitache algumha vez um carro fungar?
Pois a biblioteca havia que tirá-la de ali em segredo. Havia que fazê-la desaparecer.
E as mulheres eram silenciosas.
Pugérom panos nas cabeças, os cestos sobre os panos e nos cestos, livros. Um encima de outro. Lembro-me bem. As colunas de livros sobre as cabeças das mulheres.
Eu era um meninho e lembro-as com as colunas de livros, em fila, atravessando a noite. Era como um sonho. Doze mulheres a caminhar em silêncio com cestos de livros na cabeça. Nom sei como podiam manter o equilíbrio, os livros sobre as mulheres. E as mulheres debaixo dos livros.
Trasladárom os livros durante toda a noite. Figérom muitas viagens, as doze mulheres com colunas de livros na cabeça. Os livros erguiam-se cara ao céu.
Ninguém mais que elas soubo nunca onde enterraram a biblioteca. A biblioteca que levaram na cabeça.
Eu, que era mui meninha, aquele ano quigem aprender a levar cestos na cabeça e a ler.
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