Resenhado por José Luís Rodriguez
Catedrático de Filologia na Universidade de Santiago de Compostela e Director do Departamento de Filologia Portuguesa. Aluno e estreito colaborador de Ricardo Carvalho Calero, foi membro da Comissom de Linguística da Junta de Galiza e como tal participou activamente na elaboraçom das primeiras normas oficiais para a escrita do galego. Membro fundador da Associaçom Galega da Língua, na actualidade é o Presidente da sua Comissom de Linguística. Tem publicados abundantes trabalhos sobre temas filológico-literários.
Fai também parte do Conselho de Redacçom da Revista Agália.
Resenhado por José Luís Rodriguez
Catedrático de Filologia na Universidade de Santiago de Compostela e Director do Departamento de Filologia Portuguesa. Aluno e estreito colaborador de Ricardo Carvalho Calero, foi membro da Comissom de Linguística da Junta de Galiza e como tal participou activamente na elaboraçom das primeiras normas oficiais para a escrita do galego. Membro fundador da Associaçom Galega da Língua, na actualidade é o Presidente da sua Comissom de Linguística. Tem publicados abundantes trabalhos sobre temas filológico-literários. Fai também parte do Conselho de Redacçom da Revista Agália.
Em 25 de março de 1990 faleceu na capital da Galiza Ricardo Carvalho Calero, esse gigante da nossa cultura que foi memória do passado século e do País que nos enforma. Carvalho Calero, Membro de Honra da Associaçom Galega da Língua (AGAL), foi o teorizador indiscutível do reintegracionismo, assim como o seu máximo divulgador e praticante. Através de precisos ensaios como os de Problemas da língua galega (Lisboa: Sá da Costa, 1981), Da fala e da escrita (1983), Letras galegas (Agal, 1984), ou Do galego e da Galiza (1990, póstumo), entre outros; por meio de soberbas aplicaçons literárias, como Cantigas de amigo e outros poemas (1986), ou o reconhecido Scórpio (1987), ou Reticências (1990, póstumo), por nom falar de artigos de revista, colaboraçons jornalísticas, conferências, entrevistas, discursos...
Com a pena e com a palavra, Dom Ricardo provou sobejamente que a proposta reintegracionista nom só fora preponderante na tradiçom galeguista, como era, continuava a ser, a única garantia séria e coerente de futuro para a nossa língua. A inexorável lei biológica levou o Mestre para o Além, mas o reintegracionismo, por mais que muito lhe deva, permaneceu. E permanecerá, por mil primaveras mais, enquanto houver galegos bons e generosos, mas sobretudo enquanto houver galego.
O presente volume inicia a série de «Depoimentos» preparados pola Comissom Lingüística da Associaçom Galega da Língua que serám publicados dentro da colecçom ATRAVÉS | DA LÍNGUA. Umha pequena selecçom de trabalhos de diversa ordem, vidos a lume em diferentes meios, de regra afastados do grande público, sobre aspectos do nosso idioma e País focalizados em chave reintegracionista, todos presididos pola força, a paixom e a convicçom provenientes das cousas que verdadeiramente se amam.
Umha dúzia de testemunhos de outros tantos autores, nesta primeira série, mostram que o discurso reintegracionista continua activo na nossa sociedade, e que se nom alcança talvez a magnitude do caudal carvalhiano das proximidades da desembocadura, sim se espalha por inúmeras vias fluviais, ora com a energia promissora da jovem torrente, ora com a a segurança que dá a serena fluência dos cursos medianos. Umha dúzia de textos a incidir na indispensabilidade de umha visom alargada da nossa língua, que extravase as fronteiras quadriprovinciais e estatais, para podermos, na solidariedade salvadora com os nossos parceiros, cultivar a nossa própria diferença.
A língua de aquém e de além. De aquém-Minho e de além-Minho, de aquém-mar e de além-mar. Umha língua nascida num recanto do noroeste hispánico, nos confins desta velha Gallaecia, que, após umha fantástica viagem de vários séculos, orientando-se sempre para sul, tornou-se hoje umha língua universal. A única língua que, junto com o inglês, se fala em todos os continentes, como língua oficial ou cooficial: Europa (Galiza e Portugal), América (Brasil), África (Angola, Moçambique e restantes PALOP), Ásia (Macau), Oceánia (Timor-Leste). Nom hipotequemos, por falta de generosidade ou de perspectiva, o seu futuro, porque é para já hipotecarmos o nosso próprio presente.
Com o lançamento deste livro, disposto em duas partes consoante a natureza dos trabalhos nele (re)editados, a Comissom Lingüística da AGAL considera ultrapassada a travessia polo deserto e retorna à arena da reflexom e debate públicos sobre o idioma de todos. Neste novo percurso nada subordinará, como sempre, a sua libérrima voz colectiva, por mais que sempre atenta e respeitosa para com todos os pontos de vista igualmente atentos e respeitosos. A bem da língua!