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Mayombe

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Convertido num dos clásicos da lusofonia, em Mayombe, Pepetela conta a história de um grupo guerrilheiro acampado no meio da mata. A aventura dessa gente, o medo, as superstições, a corrupção, o ambiente político, geográfico e psicológico, compõem uma história de aventura emocionante.

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Resenha de Maria Vilasó 

 

 

María Vilasó é filóloga e professora de língua galega no ensino secundário. Além disso, trabalhou na realização de materiais para a aprendizagem do galego, incluído um curso virtual com o qual qualquer pessoa pode conhecer as noções básicas da língua da Galiza desde qualquer ponto do planeta. Chegou-se ao português como aluna para poder ser ela o veículo que também o introduza nas suas aulas.

 

 

Esta obra permite ao leitor conhecer mais de perto a realidade político-social africana, a sua idiossincrasia e a influência que a colonização tem produzido não só no mapa político mas também na identidade pessoal e nas utopias coletivas.

 

Mayombe é um romance bélico. As lutas pela independência de Angola, episódio da nossa história contemporânea, são o quadro histórico em que transcorre a ação.

 

Por outro lado, Pepetela é um desses autores cuja biografia interfere em como os leitores nos chegamos à obra. Ele próprio participou ativamente colaborando com o MPLA, o que torna difícil achar na sua escrita uma visão objetiva do conflito: os tugas, os portugueses, são o inimigo; os membros do MPLA guerrilheiros corajosos e sacrificados pela causa; o povo, uma massa inerme e instável, que ora há que defender ora colabora com o inimigo.

 

Há quem queira associar Pepetela com uma das personagens: Teoria. Os dois são intelectuais com ascendência portuguesa, o que faz deles pessoas muito atormentadas interiormente, já que vão ter que demonstrar a sua adesão à causa com o dobro de intensidade para serem como o resto dos companheiros.

 

Em relação às personagens femininas, apesar do papel secundário que lhes é atribuído no mundo de guerrilha, acabam por ser determinante no desenvolvimento do romance, exercendo uma poderosa influência nos protagonistas.

 

Há um clássico narrador omnisciente em terceira pessoa, o mais frequente, que se alterna com pequenas concessões às vozes dos diferentes protagonistas do romance. Estes micronarradores achegam os seus pensamentos mais íntimos e subjetivos, aqueles que parecem estar longe inclusive do alcance do narrador principal.

 

Embora seja uma obra catalogada como romance bélico não é a acção, os confrontos entre os tugas e os guerrilheiros, o que ocupa o grosso do romance, senão o fundo teórico da luta armada que está a levar a cabo o MPLA e os problemas de desmotivação e da própria idiossincrasia tribal angolana.

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