Resenhado por Raquel Miragaia (Vilalva, 1974)
Estudou as carreiras de Filologia Galego-Portuguesa e Filologia Hispánica na Universidade de Santiago de Compostela. Exerce a profissom docente desde o ano 2000. Publicou a sua primeira novela, Diário Comboio, em Dezembro de 2002 em co-ediçom entre Agal e Laiovento. Tem publicado colaboraçons em revistas e jornais como Mealibra (Portugal), Agália (Galiza), Novas da Galiza (Galiza), Cuadernos de Pedagogía (Catalunya), o fanzine 300 (Galiza), ou para uma peça do artista Mauro Trastoy. Acaba de sair a rua o seu último trabalho, Em tránsito, um livro de contos publicado por Difusora e também à venda na Imperdível.
Igual que uma viagem que transcende o passeio turístico para mostrar-che as curvas
todas da paisagem, as várias complexidades do lugar antes desconhecido, mas também
as simplezas.
Assim é o Manual de sedución, Marful (2010). Uma viagem rica em
experiências, em texturas e em sonoridades. Uma viagem que deixa pegada, que deixa
na retina uma impronta evocadora e onírica. Se tivesse que situá-lo num lugar, teria
que ser numa fronteira, na intersecçom entre vários mundos. O mais provável, na
intersecçom entre o sonho e o real, esse espaço de dimensons incalculáveis.
Dentro dessa grande viagem, outras mais pequeninas, desde a cinematográfica Esta noite
serenou, com passagens entre o circo e o cinema; a sofisticada e próxima De Vigo
Vuelvo, as duas Jotas (Jota Valseada para Frank Sinatra e Jota da Pedra Noiva) com a
emoçom acariciando-che a pele e metendo-se até as veias, ou as mais sarcásticas Santa
Candela ou Patachirubi.
Despois dum primeiro disco que nos tivo encantadas, agora,
Marful seduz-nos completamente com um disco mais elaborado, maduro, onde a
experiência pessoal e a evoluçom profissional ficam afortunadamente evidentes. Isso
sem falar, claro, duma voz de Ugia Pedreira cada vez mais versátil, com variados
registros e uns músicos que além das perfecçons da ejecuçom, tenhem uma
sensibilidade musical e um bom gosto que sempre é um prazer re-conhecer.

